Mensagens extraídas de investigações revelaram que o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, financiou uma estruturada rede de prostituição com ramificações internacionais. De acordo com os relatórios e faturas obtidas, o negócio movimentou intermediários, contou com uma casa noturna em São Paulo e recebeu investimentos diretos de ao menos R$ 4,3 milhões para contratação de mulheres.
Os diálogos indicam que a palavra final sobre a operação cabia sempre ao ex-banqueiro. Em conversas com promotores de eventos como Diogo Batista e Leonardo Serrano, Vorcaro participava da seleção das mulheres, definia pagamentos e coordenava viagens e hospedagens. Em uma das mensagens expostas, o promotor Diogo Batista reafirma a subordinação ao empresário com a frase: “Chefe manda e a gente executa”.
Recrutamento de estrangeiras e refugiadas de guerra
O aspecto mais sensível da investigação aponta para uma predileção no recrutamento de mulheres estrangeiras, incluindo russas, ucranianas, venezuelanas, argentinas e polonesas. Em um dos trechos que mais chamaram a atenção das autoridades, os operadores discutem a permanência de uma jovem refugiada ucraniana de 19 anos no Brasil.
Ao ser informado de que a jovem não tinha como retornar ao seu país de origem devido aos bombardeios da guerra, o promotor sugeriu integrá-la ao negócio: “E ela ainda pode entrar pra nossa agência! Gata e novinha!”. O grupo utilizava termos desumanizadores como “escravas” para se referir às mulheres inseridas no circuito e apelidava as garotas mais jovens de “creche”.
Inquérito na Polícia Federal e faturamento
A Polícia Federal (PF) instaurou um inquérito para apurar as supostas ilegalidades cometidas na contratação dos serviços e a exploração de estrangeiras. Embora a prostituição não seja classificada como crime pela legislação brasileira, o favorecimento da prostituição de terceiros (cafetinagem) e o rufianismo (lucrar com a exploração alheia) são crimes tipificados no Código Penal. A PF também investiga se houve indícios de tráfico internacional de pessoas.
A investigação mapeou dezenas de faturas de despesas emitidas para empresas gestoras que eram repassadas diretamente ao setor financeiro do Banco Master, totalizando valores expressivos de logística em viagens corporativas para capitais como Londres, Paris, Roma e Dubai.
Até o momento, a defesa do banqueiro Daniel Vorcaro e os demais intermediários citados não emitiram posicionamentos oficiais sobre o vazamento das mensagens.








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