O resultado do primeiro turno das Eleições de 2026 desenhou um mapa de profunda divisão política e trouxe alertas importantes para a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ao fechar a contagem com 45,16% dos votos válidos (53,8 milhões de votos), terminando ligeiramente atrás do senador Flávio Bolsonaro (PL), que obteve 47,03%, o atual mandatário viu antigas fortalezas oscilarem, enquanto o perfil sociológico de seu eleitorado manteve traços históricos bem definidos.
Onde Lula mantém a liderança isolada
A grande fortaleza da candidatura de Lula permanece fincada no Nordeste, região onde historicamente constrói suas maiores vantagens eleitorais. No total regional, Lula ultrapassou a marca de 21 milhões de votos. Estados como a Bahia e o Piauí mantêm índices elevados de fidelidade ao petista.
O Norte do país foi outra área de vitória para o atual presidente, com destaque para os desempenhos no Amazonas e no Pará, onde ele somou a maioria de seus mais de 4 milhões de votos na região.
Sociologicamente, pesquisas de institutos como o Datafolha indicam que o núcleo duro do eleitorado lulista continua concentrado:
- Na população de baixa renda (que recebe até dois salários mínimos);
- Entre eleitores de menor escolaridade;
- Majoritariamente no eleitorado que se declara de religião católica;
- Nas faixas etárias dos extremos (jovens de 16 a 24 anos e idosos acima de 60 anos).
Onde a campanha governista encolheu e perdeu votos
O principal ponto de preocupação para o PT foi o encolhimento de margens nas grandes capitais e no coração econômico do país. Houve uma queda expressiva na votação de Lula no Sudeste, principalmente nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro na comparação direta com o pleito de 2022. Embora no Sudeste o presidente tenha amealhado pouco mais de 19 milhões de votos, o avanço da oposição na região acabou neutralizando a folga nordestina.
Na região Sul, o revés foi contundente: a votação total de Lula foi de aproximadamente metade dos votos conquistados por Flávio Bolsonaro. No Centro-Oeste, impulsionado pelo agronegócio, Lula não alcançou a marca de 3 milhões de votos.
Até mesmo no voto no exterior e em nichos específicos as margens estreitaram: em Portugal, a vantagem histórica do petista caiu de 29 para 14 pontos percentuais frente ao candidato do PL.
O desafio do 2º turno
Analistas apontam que para buscar a virada em 25 de outubro, a estratégia de Lula precisará focar na reconquista da classe média urbana das capitais e conter pequenas fissuras que começaram a aparecer no interior do próprio Nordeste. O “batalhão” de mais de 33 milhões de eleitores que se abstiveram no primeiro turno virou o alvo principal de ambas as candidaturas.








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