O terremoto político e financeiro provocado pelas investigações em torno de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, atingiu em cheio o coração do jornalismo brasileiro. Em menos de 24 horas, o cenário de blindagem que o banqueiro tentava construir ruiu publicamente com a revelação de relatórios da Polícia Federal extraídos de seu telefone celular.
A Queda no Grupo Globo
Na última quinta-feira (15), o Grupo Globo anunciou o desligamento imediato de Frederic Kachar, que ocupava há anos o cargo de diretor-geral de Mídia Impressa e Rádio. O comitê de ética da empresa agiu após ter acesso a diálogos mantidos entre Kachar e Vorcaro. As mensagens revelaram uma “relação inadequada com um anunciante”, na qual o executivo demonstrava submissão aos interesses do banqueiro, pautando veículos como G1, Valor Econômico e Vogue Brasil para massagear a imagem do Banco Master e de familiares de Vorcaro. Em nota, o Grupo Globo reafirmou seu compromisso com a absoluta independência editorial.
O Balcão de Edição no Metrópoles
Se na Globo havia facilitação de pautas, no portal Metrópoles o controle era cirúrgico. Conversas interceptadas pela PF mostram que a CEO do portal, Lilian Tahan, submetia reportagens inteiras à aprovação prévia de Vorcaro antes da publicação. Das matérias analisadas pela investigação, pelo menos 11 foram alteradas a pedido do banqueiro e textos inteiros que traziam incômodo aos seus negócios foram simplesmente engavetados. Vorcaro também usou o canal para pedir o “rebaixamento” de espaço de críticos políticos, como o ex-secretário Ricardo Cappelli.
O Peso dos Milhões
A condescendência da direção do Metrópoles coincide com um fluxo maciço de dinheiro. Documentos revelam que Vorcaro negociou cerca de R$ 51,9 milhōes com o portal entre contratos de publicidade e patrocínio. Em um dos diálogos com sua equipe de marketing, ao rejeitar uma proposta de redução de custos, Vorcaro foi enfático: “Coisa mais importante nossa vida é esse Metrópoles”. Relatórios do Coaf já apontavam transferências de R$ 27,2 milhões do banco para o veículo, com saques e repasses imediatos classificados como suspeitos.
Preso preventivamente, o homem que tentou comprar a narrativa pública do país assiste agora ao desmoronamento dos impérios de influência que financiou.








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