A explosão nas concessões de benefícios por incapacidade temporária devido a transtornos mentais, que ultrapassou a marca de 546 mil casos no país e colocou o Rio Grande do Norte no topo do ranking proporcional do Nordeste, já tem um diagnóstico demográfico nítido. O cruzamento de dados do INSS expõe os recortes de gênero, idade e nível de instrução que explicam o colapso psicológico no mercado de trabalho.
1. Gênero: A Sobrecarga da Jornada Dupla
O recorte por sexo é o mais desigual de toda a estatística. As mulheres representam 64% de todos os auxílios-doença por fatores psíquicos concedidos. No Rio Grande do Norte, esse índice acompanha a tendência, chegando a quase dois terços das licenças. Especialistas em saúde ocupacional apontam que o dado reflete o chamado “conflito trabalho-família”. As mulheres permanecem acumulando as cobranças de metas profissionais com o trabalho invisível e não remunerado do cuidado com o lar e familiares, gerando um cenário crônico de exaustão emocional.
2. Idade: O Esgotamento no Ápice da Vida Produtiva
A idade média das pessoas afastadas por saúde mental é de 41 anos. Não se trata de uma crise que atinge quem está entrando no mercado ou prestes a se aposentar, mas sim os profissionais que estão no ápice de sua capacidade e responsabilidade laboral. No entanto, há um alerta geracional: entre os jovens de 18 a 24 anos, a ansiedade disparou como a causa número um de interrupção do trabalho nas empresas, impulsionada pelo medo do desemprego e pela hiperconectividade.
3. Escolaridade: O Adoecimento Intelectual
Diferente de acidentes de trabalho físicos, que costumam atingir funções operacionais, os transtornos mentais têm maior incidência na parcela da população com maior nível de instrução. Cerca de 60% dos casos de transtornos psicológicos relacionados ao trabalho ocorrem entre profissionais com ensino médio completo ou ensino superior.
O adoecimento concentra-se em setores de serviços, finanças, comércio e educação. São profissões que demandam alta carga de esforço mental, cumprimento rígido de prazos sob pressão contínua, atendimento ao público e metas de produtividade agressivas — fatores que funcionam como gatilhos diretos para crises de ansiedade coletivas e o esgotamento por Burnout.








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