O cenário do transporte rodoviário e a memória afetiva de milhares de potiguares sofreram um golpe histórico. A Justiça do Rio Grande do Norte decretou a falência da Auto Viação Jardinense, tradicional empresa de transporte de passageiros que, por mais de cinco décadas, foi o principal elo de ligação entre as cidades do interior — especialmente a região do Seridó — e a capital, Natal.
A decisão judicial foi proferida nos autos da Ação nº 0832057-04.2024.8.20.5001, que tramita na comarca de Natal. O decreto de falência ocorreu após tentativas frustradas de conciliação envolvendo uma dívida de aproximadamente R$ 300 mil com um credor específico. No entanto, o passivo total da empresa revela uma crise financeira muito mais profunda: as dívidas acumuladas da Jardinense já ultrapassam a marca dos R$ 75 milhões. Embora a decisão ainda caiba recurso, o impacto prático sinaliza o fechamento definitivo de um ciclo.
Mais que transporte, uma fábrica de memórias
Para além dos balancetes e dos processos judiciais, a falência da Jardinense representa o fim de um marco social na vida do povo potiguar. Desde a sua fundação, a empresa transportou muito mais do que passageiros; ela carregou os sonhos de jovens estudantes que deixavam o interior rumo às universidades da capital, trabalhadores que construíram suas carreiras cruzando as rodovias estaduais todos os dias e pessoas que viajavam para viver realidades diferentes ou manter acesos amores à distância.
O próprio advogado responsável pela ação, Dr. Rômulo Fernandes, lamentou o desfecho ao relembrar sua juventude. “É lamentável. Eu mesmo, ainda adolescente e jovem, viajei muitas vezes pela Jardinense. Nunca imaginei que um dia precisaria pedir a falência dela”, desabafou. O fechamento da empresa deixa um rastro de nostalgia, mas também de preocupação com os postos de trabalho perdidos e com a reestruturação das linhas intermunicipais no estado.








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