A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), fundada em 1946 e consolidada como um dos maiores e mais importantes polos de excelência acadêmica e científica do Norte e Nordeste, enfrenta uma crise patrimonial sem precedentes. Em um intervalo de apenas oito dias, o campus da Cidade Universitária, no Recife, registrou três incêndios consecutivos em prédios de pesquisa diferentes.
O episódio mais devastador ocorreu na noite da última quarta-feira (7), destruindo o andar superior do prédio que abrigava a Diretoria de Inovação e Empreendedorismo, além do Núcleo de Pesquisa em Inovação Terapêutica. O reitor da instituição, Alfredo Gomes, estimou o prejuízo financeiro inicial em R$ 100 milhões apenas em equipamentos de ponta, insumos e infraestrutura.
O imensurável prejuízo intelectual
Muito além do rombo financeiro, o incêndio desferiu um golpe mortal na ciência brasileira ao destruir completamente dados, amostras e materiais acumulados ao longo de 20 anos de trabalho contínuo. O local centralizava estudos avançados sobre o câncer, a Covid-19 e o Transtorno do Espectro Autista (TEA). De acordo com a reitoria, cerca de 80 dissertações de mestrado e teses de doutorado em andamento foram diretamente impactadas, representando a perda irreparável do esforço intelectual de dezenas de jovens cientistas.
O que se sabe até agora e as investigações
O mistério em torno da sequência de chamas gerou um forte embate de narrativas nos bastidores universitários. De um lado, movimentos estudantis relataram que alunos vinham recebendo mensagens com ameaças de supostos ataques ao campus motivadas por tensões políticas. Por outro lado, técnicos da instituição apontam para a precariedade das instalações, levantando a suspeita de um superaquecimento ou falha nos sistemas de ar-condicionado gerados por sobrecarga.
A Polícia Federal (PF) e a Advocacia-Geral da União (AGU) foram formalmente acionadas e abriram um inquérito criminal para realizar perícias nas estruturas. O objetivo é determinar se os incidentes, que começaram no Departamento de Física em 30 de setembro e passaram pelo Centro de Biociências no domingo (4), foram causados por falhas acidentais de manutenção ou se tratam de uma ação criminosa coordenada. Felizmente, nenhuma das ocorrências deixou vítimas ou feridos.









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