A passagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo Rio Grande do Norte foi marcada por declarações que chacoalharam o tabuleiro político e geraram forte repercussão na mídia nacional. Durante a primeira agenda oficial de sua campanha de reeleição na região, realizada nesta quinta-feira (20), o chefe do Executivo federal aliou o anúncio de um megaprojeto de tecnologia em Macaíba a uma pesada mobilização eleitoral na Arena das Dunas, em Natal, focada na sucessão estadual.
Declaração Polêmica sobre a Pobreza e a Fé
O momento de maior controvérsia ocorreu durante o pronunciamento institucional no Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo (PAX), em Macaíba. Ao comentar sobre o atraso histórico no desenvolvimento econômico e o esquecimento de políticas públicas federais no Nordeste em décadas passadas, Lula acabou responsabilizando os planos divinos e a vontade de Deus pela miséria regional da população.
“Eu me perguntava, o que é que o Nordeste fez para Deus? Porque eu aprendi a vida inteira que Deus cuidava do povo pobre, que ele tinha uma preferência pelo povo pobre”, disparou o presidente em tom de questionamento. A associação direta entre a fé e a desigualdade socioeconômica regional imediatamente viralizou e dividiu opiniões nas plataformas digitais entre apoiadores e opositores da gestão federal.
O Pedido de Voto Direto para Cadu Xavier
Já no início da noite, no largo da Arena das Dunas, o tom deu lugar à estratégia de transferência de votos. O presidente dividiu o palanque com a governadora Fátima Bezerra e colocou o candidato governorista Cadu Xavier (PT) como o pilar central de seu discurso, blindando o nome “Cadu de Lula” que a chapa defende utilizar nas urnas eletrônicas.
O presidente fez um apelo contundente à militância e aos eleitores potiguares: “Quem votar em mim, eu peço a vocês, como companheiros e companheiras, vote no companheiro Cadu para governador”, conclamou. Em seu discurso de apoio, o chefe da União elogiou as credenciais técnicas do candidato, destacando sua atuação decisiva como gestor da economia e das contas públicas do Rio Grande do Norte na tentativa de tirar o estado da crise financeira nos últimos anos.

















