O colapso hídrico que suspendeu o abastecimento em Currais Novos e Acari neste mês de setembro de 2026, e que ameaça deixar mais 9 cidades do Seridó sem água até dezembro, não é um fato isolado. É o resultado de duas décadas de uma política que trata a segurança hídrica como promessa de campanha e o carro-pipa como moeda de troca.

Para entender como uma região que gera 12% do ICMS do Rio Grande do Norte continua refém da sede, nossa equipe de reportagem levantou o histórico dos últimos 20 anos de gestão pública, confrontando o clima, os governantes e o dinheiro desperdiçado.

2007 a 2010: O Governo Wilma de Faria (PSB) – A ilusão da fartura

O ciclo começou com anos de inverno generoso. Sob o governo de Wilma de Faria, o Seridó viveu momentos de fartura hídrica, culminando na grande sangria do Açude Gargalheiras em 2009. Com os reservatórios cheios, o planejamento de longo prazo foi deixado de lado. Os projetos executivos para adutoras definitivas e interligação de bacias foram engavetados, sob a falsa premissa de que a água do sertão seria eterna.

2011 a 2014: O Governo Rosalba Ciarlini (DEM) – O início do deserto

A conta da falta de planejamento chegou rápido. Em 2012, o Nordeste entrou na pior seca de sua história recente. Sob a gestão de Rosalba Ciarlini, o Seridó viu seus principais mananciais entrarem em colapso. A Barragem Dourado e o Gargalheiras secaram drasticamente. A resposta do governo não foi estrutural, mas assistencialista: foi neste período que a “indústria do carro-pipa” se consolidou como a principal e bilionária política de abastecimento do interior potiguar.

2015 a 2018: O Governo Robinson Faria (PSD) – O escândalo dos R$ 40 milhões

O auge da crise hídrica aconteceu na gestão de Robinson Faria. Com Currais Novos e Acari em colapso total e o comércio à beira da falência, o governo estadual executou uma obra emergencial: a Adutora de Engate Rápido, orçada em mais de R$ 40 milhões. O desfecho foi um desrespeito ao dinheiro público. Tubulações de PVC de baixa qualidade foram enterradas às pressas. O sistema sofreu dezenas de estouramentos e, poucos anos depois, a estrutura foi completamente abandonada e sucateada. Quarenta milhões de reais de impostos foram literalmente enterrados.

2019 a 2026: O Governo Fátima Bezerra (PT) – A novela do cronograma adiado

A atual governadora assumiu o Estado com a promessa de resolver definitivamente o problema através da Adutora do Seridó, um projeto de R$ 326,5 milhões financiado em parceria com o Governo Federal e a Codevasf.

  • No primeiro mandato (2019-2022), a obra foi lançada com a promessa solene de entrega para 2025.
  • No segundo mandato (2023-2026), o clima deu uma trégua e o Gargalheiras chegou a sangrar em 2024, mascarando a lentidão dos trabalhos.

A realidade bateu à porta em setembro de 2026. O Gargalheiras secou novamente e Currais Novos voltou ao colapso. O governo confessou que apenas 51% da obra física foi executada e, após falhas de engenharia e aditivos, o cronograma oficial foi oficialmente adiado para 2027.

🧠 O Seridó está cansado de pagar a conta

A linha do tempo dos últimos 20 anos prova que a sede do Seridó mudou de partido, mas nunca mudou de realidade. Passamos pelo PSB, DEM, PSD e PT; a arrecadação de impostos da nossa mineração e do comércio cresceu, mas o tratamento dado ao interior continuou o mesmo. O desperdício de R$ 40 milhões no passado e o adiamento da nova adutora para 2027 provam que a dignidade do seridoense foi preterida pela burocracia. O povo do Seridó exige o fim das desculpas técnicas: quem paga impostos de primeiro mundo não aceita viver com soluções de dezoito meses.

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João Batista de Moura

Com formação em Pedagogia, Teologia e Psicanálise, além de MBA em Marketing e Gestão de Pessoas, JB Moura construiu uma trajetória consistente e multidisciplinar voltada à comunicação, ao desenvolvimento humano e à liderança.

São mais de 20 anos dedicados à comunicação no Seridó e no Rio Grande do Norte, com atuação consolidada no jornalismo e no rádio, sempre marcada pela credibilidade, clareza e compromisso com a informação de interesse público. Sua comunicação se destaca pela responsabilidade editorial e pela capacidade de traduzir temas relevantes de forma acessível e impactante.

Mais do que informar, JB Moura comunica propósito. Em suas palestras e no Minuto Esperança, une conhecimento, fé e experiência para transmitir mensagens que despertam consciência, fortalecem valores e oferecem direção, impactando vidas com profundidade e esperança.

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