O drama da saúde pública no Rio Grande do Norte ganhou mais um capítulo alarmante. O Conselho Regional de Farmácia do RN (CRF/RN) confirmou a realização de uma inspeção fiscalizatória no Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, em Natal. A ação ocorre após vir a público um memorando interno da própria Divisão de Farmácia da unidade que acendeu o sinal vermelho: o hospital enfrenta a falta de 189 itens de seu catálogo, o que representa cerca de 25% dos insumos necessários para o atendimento.
De acordo com o presidente do CRF/RN, Joselito Rangel, o desabastecimento não é um problema recente e tem tornado o cotidiano dos profissionais e pacientes insustentável. A inspeção técnica visa documentar as reais condições do estoque para a elaboração de um relatório formal que será encaminhado à Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap/RN) e ao Ministério Público do Estado (MPRN) cobrando providências imediatas.
O peso no bolso e no coração das famílias
Enquanto os trâmites burocráticos e as discussões políticas se arrastam, são as famílias dos pacientes internados que pagam a conta mais alta — tanto financeira quanto emocionalmente. Relatos colhidos nos corredores do maior hospital de traumas do RN revelam um cenário de “extrema gravidade e vulnerabilidade assistencial”.
Sem esparadrapos, luvas, agulhas, seringas e até medicamentos vitais como antibióticos e analgésicos fortes (a exemplo da morfina), equipes de saúde se veem obrigadas a entregar listas de receitas aos acompanhantes. Para garantir que seus entes queridos recebam o socorro necessário, parentes e cuidadores precisam correr contra o tempo até farmácias comerciais para comprar itens básicos com o próprio dinheiro.
O que diz a Gestão Estadual?
Em resposta à repercussão, o secretário de Saúde do RN, Alexandre Motta, reconheceu publicamente a falta de insumos, mas tentou contextualizar o problema afirmando que o cenário atual “já foi pior” em gestões passadas. Segundo a Sesap, o órgão está adotando medidas emergenciais, como a permuta de medicamentos entre hospitais da rede pública, renegociações com fornecedores e novos processos licitatórios para recompor o abastecimento. A pasta prometeu ainda manter a transparência na divulgação dos dados de estoque.
Contudo, para quem aguarda atendimento em uma maca ou vê um familiar internado em estado grave, as justificativas burocráticas não aliviam a dor da espera. A saúde não espera pela burocracia, e o direito básico à assistência digna, garantido pela Constituição, segue sob constante ameaça nas alas do Walfredo Gurgel.








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