A greve dos professores e educadores infantis da rede municipal de Natal, deflagrada no dia 6 de agosto, foi oficialmente suspensa na tarde desta segunda-feira (24). A decisão da categoria foi tomada por ampla maioria em assembleia promovida pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Rio Grande do Norte (Sinte-RN). 

O recuo estratégico ocorreu imediatamente após uma nova e dura determinação do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN). O desembargador Glauber Rêgo atendeu a um pedido de tutela de urgência da Prefeitura de Natal e elevou a multa diária aplicada ao sindicato de R$ 10 mil para R$ 50 mil, sob a justificativa de descumprimento de uma liminar anterior. Além do reajuste pesado na penalidade financeira, o magistrado autorizou o corte de ponto e o desconto individualizado dos dias não trabalhados por cada servidor que aderiu ao movimento. 

Sindicato promete acionar o STF e decreta “estado de greve”
Embora as aulas comecem a ser normalizadas nas 147 unidades de ensino do município, o clima continua tenso. Em nota oficial, a diretoria do Sinte-RN assegurou que o movimento respeitou todos os trâmites exigidos pela legislação e confirmou que a assessoria jurídica vai acionar o Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar reverter a decisão do tribunal potiguar. 

A categoria também anunciou que não dará um passo atrás na mobilização e decretou “estado permanente de greve”. De acordo com os coordenadores do sindicato, os professores continuarão denunciando o que chamam de “desmonte da educação pública de Natal” através de protestos periódicos nas ruas e campanhas focadas nas redes sociais. Um ato público, inclusive, já foi agendado para a manhã desta quarta-feira (26) em frente ao prédio da Prefeitura de Natal. 

Os impasses da negociação
Os profissionais da educação reivindicam a unificação e criação de uma carreira única para o magistério municipal, isonomia salarial, melhorias estruturais urgentes nas escolas e Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs), além de uma recomposição imediata de perdas salariais de 4,6% estimada para o ano de 2026. 

Por outro lado, a Secretaria Municipal de Educação (SME) argumenta que mantém uma mesa de diálogo permanente com os servidores e vem cumprindo o cronograma de pagamentos e retroativos firmados anteriormente. Com o fim da paralisação, o Departamento de Gestão Escolar do município passa a coordenar a reorganização do calendário pedagógico para assegurar a reposição integral das aulas e evitar prejuízos aos mais de 51 mil alunos matriculados na rede. 

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João Batista de Moura

Com formação em Pedagogia, Teologia e Psicanálise, além de MBA em Marketing e Gestão de Pessoas, JB Moura construiu uma trajetória consistente e multidisciplinar voltada à comunicação, ao desenvolvimento humano e à liderança.

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