Conheça a inspiradora história de Leôncio Etelvino de Medeiros, o agricultor de Cruzeta que transformou as cinzas de uma tragédia no mercado público na maior e mais valorizada rede de supermercados do RN.
A história do cooperativismo e do empreendedorismo no Rio Grande do Norte guarda capítulos de pura superação, mas poucos são tão emblemáticos quanto a trajetória da família Medeiros. No coração do Seridó, na pequena e acolhedora cidade de Cruzeta, brotou a força de vontade de um homem que viria a revolucionar o comércio potiguar: o agricultor e comerciante Leôncio Etelvino de Medeiros. Sua jornada prova que o DNA seridoense é forjado na resiliência e na capacidade de se reinventar diante das maiores adversidades.
Tudo começou em 1958, quando Seu Leôncio tomou a ousada decisão de deixar o interior do Seridó com sua numerosa família rumo à capital, Natal, em busca de novas oportunidades. Com uma visão comercial aguçada, ele abriu um pequeno armazém anexo à casa da família. O negócio prosperou e, em pouco tempo, Leôncio expandiu suas operações adquirindo pontos comerciais (boxes) no antigo Mercado Público de Natal, onde passou a atuar como um respeitado atacadista.
O dia em que tudo virou cinzas
O destino, porém, testou a fé da família Medeiros de forma devastadora. Durante o Carnaval de 1967, um incêndio de grandes proporções destruiu completamente o Mercado Público de Natal, reduzindo a pó mais de 100 pontos comerciais. Em poucas horas, uma vida inteira de trabalho de Seu Leôncio virou cinzas. Vários comerciantes decretaram falência generalizada naquele trágico episódio.
Da estrutura da família Medeiros, restaram apenas pouquíssimas mercadorias salvas às pressas: algumas caixas de óleo e sacos de açúcar. O cenário era desolador e o prejuízo, total. Mas o espírito obstinado do seridoense não permitiu o recuo.
O recomeço dentro de casa e o nascimento de um gigante
Em vez de lamentar, Seu Leôncio deu uma lição de liderança. Apenas três dias após o incêndio, ele e seus filhos limparam o sobrado onde moravam, na Rua Doutor Pedro Amorim, e transferiram os restos do estoque para dentro de casa para continuar vendendo. Os filhos — entre eles Manoel Etelvino de Medeiros — dividiam-se entre carregar sacos, atender a clientela fiel do mercado e administrar o caixa.
Aquela mercearia improvisada no ambiente familiar foi o embrião de um plano muito maior. Exatamente cinco anos após a tragédia, em setembro de 1972, a família deu um salto histórico ao inaugurar, no dinâmico bairro do Alecrim, a primeira unidade oficial do Supermercado Nordestão. Era o início de um modelo de varejo moderno e humanizado que priorizava a qualidade extrema e o respeito ao cliente potiguar.
Um império bilionário
O que nasceu do sustento de um agricultor de Cruzeta transformou-se em uma das marcas mais valiosas e queridas do país. Décadas depois, o Grupo Nordestão consolidou-se como o maior grupo varejista genuinamente potiguar, operando mais de uma dezena de lojas hipermodernas (incluindo as bandeiras Nordestão e as grandes estruturas do atacarejo SuperFácil).
A rede faturou a impressionante marca de R$ 2,5 bilhões e figura com orgulho na lista das 50 maiores redes de supermercados de todo o Brasil no conceituado Ranking ABRAS. Hoje sob governança profissionalizada de novas gerações, a empresa preserva os valores familiares plantados lá atrás.
A trajetória de Leôncio Etelvino de Medeiros e do Nordestão é o maior exemplo de que, para um legítimo seridoense, as cinzas nunca significam o fim, mas sim o adubo para o nascimento de uma história vitoriosa.









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