O recente caso da menina que foi salva por motoqueiro após ser atacada por um enxame de abelhas, acende um alerta, o que fazer em caso de ataque?
Os relatos de acidentes envolvendo enxames de abelhas em áreas urbanas e rurais têm acendido o alerta máximo no Rio Grande do Norte. De acordo com dados recentes do Corpo de Bombeiros Militar do RN (CBMRN), o estado registrou impressionantes 3.268 ocorrências envolvendo abelhas em apenas oito meses (de janeiro a agosto). Longe de ser um mero incômodo, o ataque de um enxame pode se tornar uma tragédia fatal em questão de minutos. Compreender o comportamento desses insetos e saber exatamente como reagir é a única forma de evitar o pior.
Por que as abelhas atacam?
Ao contrário do que o senso comum propaga, as abelhas — especialmente as africanizadas, que são as mais comuns no Brasil — não são animais predadores ou agressivos por natureza. Elas são altamente defensivas. Isso significa que o ataque só acontece quando a colmeia se sente ameaçada.
Existem gatilhos muito específicos que despertam o comportamento de ataque em massa:
- Altas Temperaturas: O calor intenso e o tempo seco — típicos do RN no segundo semestre — deixam os insetos visivelmente mais estressados e agitados.
- Ruídos e Vibrações: Motores de popa, cortadores de grama, roçadeiras ou obras perto de colmeias são os principais causadores de acidentes severos.
- Odores Fortes: O cheiro de suor animal ou humano, tintas frescas e perfumes muito adocicados irritam os insetos.
- Cores Escuras: Roupas pretas, azuis-escuras ou vermelhas atraem mais a atenção defensiva do enxame do que tons claros.
Os perigos do veneno (Apitoxina)
Uma única picada de abelha causa dor local e inchaço, algo perfeitamente controlável. O perigo real mora em duas situações: o choque anafilático (reação alérgica grave) e o ataque por múltiplas picadas.
Quando uma pessoa é picada por centenas de abelhas ao mesmo tempo, a quantidade de apitoxina (o veneno do inseto) introduzida na corrente sanguínea é tão alta que pode causar insuficiência renal aguda, destruição de células musculares e paradas cardiorrespiratórias, independentemente de a vítima ser alérgica ou não. Idosos, crianças e animais de estimação possuem tolerância ainda menor ao veneno.
Manual de Proteção: O que fazer durante um ataque?
Se você se deparar com um enxame em polvorosa, cada segundo conta. Siga estas diretrizes de segurança:
- Corra em linha reta: Não tente lutar, espantar as abelhas com as mãos ou fazer movimentos circulares. Corra o mais rápido possível até encontrar um abrigo hermético, como o interior de um carro com os vidros fechados ou uma sala.
- Proteja as vias aéreas: Use a própria camiseta ou as mãos para cobrir o rosto, a boca e o nariz. As abelhas miram na cabeça por causa do gás carbônico que exalamos na respiração.
- Não pule na água: Se você buscar refúgio em uma piscina ou rio, o enxame ficará pairando sobre a superfície. No momento em que você emergir para respirar, será atacado repetidamente na face.
- Remova os ferrões de forma correta: Após se proteger, retire os ferrões da pele raspando-os de lado com uma lâmina, cartão de crédito ou com a própria unha. Nunca use pinças ou os dedos para espremer o ferrão, pois isso injeta o restante do veneno que ficou na bolsa para dentro do seu corpo.
Se notar sintomas como tontura, dificuldade para respirar, placas vermelhas pelo corpo ou inchaço na garganta, procure uma unidade de pronto atendimento imediatamente.
Caso encontre uma colmeia instalada em local de risco na sua residência ou propriedade, nunca jogue água, fogo ou veneno. Acesse o portal institucional do Corpo de Bombeiros do RN ou acione a corporação diretamente pelo telefone 193 para que a remoção seja feita por especialistas.








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