Um problema silencioso, mas de impacto devastador, está ameaçando uma das maiores riquezas gastronômicas e culturais do interior do Rio Grande do Norte. O Seridó enfrenta uma escassez histórica de sua carne tradicional, a carne de bode, devido a uma onda crescente e violenta de ataques de cães (errantes e de rua) a rebanhos de caprinos e ovinos nas zonas rurais de diversos municípios.

Cidades como Jardim do Seridó, por exemplo, registraram episódios recentes em que matilhas invadiram propriedades rurais durante a madrugada, matando e ferindo dezenas de animais. O cenário repete-se por toda a região: ovelhas e bodes, que servem de sustento e base econômica para pequenos produtores, estão sendo dizimados por cães abandonados que circulam livremente pela caatinga.

Prejuízos financeiros e desistência da atividade

Pesquisadores da Embrapa apontam que o impacto de ataques de matilhas domésticas e errantes gera prejuízos milionários em todo o país, provocando abortos em matrizes devido ao estresse e inviabilizando o comércio do couro e da carne. No Seridó, o sentimento entre os criadores é de desespero e frustração. Muitos produtores locais, após acumularem perdas financeiras que variam de R$ 3 mil a mais de R$ 20 mil por ataque, estão simplesmente desistindo da criação de caprinos.

Sem o nascimento e o manejo adequado de novos animais, a cadeia de abastecimento local quebrou. O reflexo já é sentido diretamente nas feiras livres, açougues e restaurantes da região: encontrar a tradicional carne de bode, um patrimônio da culinária sertaneja, tornou-se uma tarefa difícil e cada vez mais cara.

Cobrança por políticas públicas e guarda responsável

A dificuldade de identificar os tutores desses cães impede que os criadores prejudicados consigam qualquer tipo de ressarcimento financeiro. Associações de produtores rurais do Seridó cobram uma intervenção urgente das prefeituras e órgãos ambientais. Entre as medidas solicitadas estão o reforço nos programas municipais de castração gratuita, chips de identificação, controle de zoonoses e conscientização sobre o abandono de animais, que deixou de ser apenas um problema de bem-estar animal e transformou-se em uma crise econômica e de segurança pública no campo.

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João Batista de Moura

Com formação em Pedagogia, Teologia e Psicanálise, além de MBA em Marketing e Gestão de Pessoas, JB Moura construiu uma trajetória consistente e multidisciplinar voltada à comunicação, ao desenvolvimento humano e à liderança.

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